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Fenômeno de Raynaud é o espasmo transitório dos pequenos vasos das extremidades, desencadeado por frio ou estresse, com mudança de cor bem demarcada nos dedos. Na maioria das pessoas é primário e benigno. Os sinais que apontam para a forma secundária são início após os trinta anos, crises assimétricas, feridas na ponta dos dedos e FAN positivo. Na esclerose sistêmica, o Raynaud pode preceder os demais sintomas por anos. FAN com título e padrão, capilaroscopia periungueal e anticorpos dirigidos definem o risco de cada caso.

Dedos que ficam brancos, depois roxos e depois vermelhos quando expostos ao frio têm nome: fenômeno de Raynaud. Na maior parte das vezes é benigno e isolado. Em uma parcela dos casos é o primeiro sinal de uma doença autoimune, e pode aparecer anos antes de qualquer outro sintoma.

O que é o fenômeno de Raynaud?

É um espasmo transitório dos pequenos vasos das extremidades, desencadeado por frio ou por estresse emocional. O clássico é a sequência de três cores: palidez, depois arroxeamento e depois vermelhidão na reperfusão. Nem todo mundo apresenta as três fases.

Afeta principalmente dedos das mãos, e pode acometer dedos dos pés, orelhas, nariz e mamilos. Costuma vir com dormência, formigamento ou dor durante a crise.

Qual a diferença entre Raynaud primário e secundário?

O primário é a forma isolada, sem doença associada. Costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta, é simétrico nas duas mãos, não provoca ferida e não evolui para lesão de tecido.

O secundário aparece associado a uma doença de base, com destaque para a esclerose sistêmica, o lúpus, a síndrome de Sjögren, a doença mista do tecido conjuntivo e as miopatias inflamatórias. Pode causar úlcera de ponta de dedo e perda de tecido.

Quais sinais sugerem que o Raynaud é secundário?

A combinação de Raynaud, FAN positivo e capilaroscopia alterada é o que mais aumenta a probabilidade de doença do tecido conjuntivo.

O que é a capilaroscopia periungueal e por que ela é decisiva aqui?

É um exame simples, feito no consultório, que olha os capilares da base da unha com aumento. Não dói, não usa contraste e não exige preparo.

Ela separa Raynaud primário de secundário melhor do que qualquer sintoma isolado. Um padrão normal favorece fortemente a forma primária. Achados como capilares dilatados, áreas sem vasos e microhemorragias apontam para doença do tecido conjuntivo, e o padrão pode indicar em que fase a doença está.

Quem tem Raynaud com qualquer sinal de alarme deve fazer capilaroscopia.

Raynaud pode aparecer antes da doença?

Sim, e isso é o ponto clinicamente mais importante. Na esclerose sistêmica, o Raynaud costuma preceder os demais sintomas por anos. Identificar quem está nessa fase permite acompanhamento dirigido em vez de diagnóstico tardio.

Por isso um Raynaud que começa na vida adulta merece investigação mesmo sem nenhuma outra queixa.

Que exames costumam ser pedidos?

A avaliação inicial em geral inclui FAN com título e padrão, capilaroscopia periungueal e, conforme a hipótese, anticorpos dirigidos como anticentrômero, anti-Scl70 e anti-RNA polimerase III. Quando há suspeita de acometimento de órgão, entram avaliação pulmonar e cardíaca.

Painel amplo sem hipótese não é o caminho e costuma gerar achados sem significado.

O que fazer para reduzir as crises?

Quando as medidas não bastam, existem tratamentos medicamentosos com boa resposta, definidos conforme a causa e a gravidade.

Quando procurar um reumatologista

Vale avaliação quando o Raynaud começa depois dos trinta anos, quando há qualquer ferida ou cicatriz na ponta dos dedos, quando as crises são assimétricas, e quando há FAN positivo associado.

Se você tem outros exames alterados sem diagnóstico fechado, veja como funciona a investigação de doenças autoimunes. Se o FAN foi o achado principal, entenda o que significa um FAN positivo.

Perguntas frequentes sobre fenômeno de Raynaud

Fenômeno de Raynaud é perigoso?

A forma primária é benigna e não causa lesão de tecido. A forma secundária pode provocar úlcera na ponta dos dedos e indica doença de base, com destaque para a esclerose sistêmica. O que define a conduta é diferenciar as duas formas.

Raynaud é doença autoimune?

Em si, não. É um fenômeno vascular. Pode existir isolado, como forma primária, ou ser a primeira manifestação de uma doença autoimune, anos antes de qualquer outro sintoma.

Que exames diferenciam Raynaud primário de secundário?

Os dois exames centrais são o FAN com título e padrão e a capilaroscopia periungueal. Capilaroscopia normal com FAN negativo indica baixo risco de evolução para doença do tecido conjuntivo. Alterações em qualquer um dos dois direcionam a investigação com anticorpos específicos, como anticentrômero, anti-Scl70 e anti-RNA polimerase III.

Raynaud pode virar esclerose sistêmica?

Uma parcela dos casos secundários evolui para esclerose sistêmica, e o Raynaud costuma ser o primeiro sinal da doença. O risco é maior quando há capilaroscopia alterada e anticorpos específicos positivos. Identificar essa fase permite acompanhamento dirigido em vez de diagnóstico tardio.

Qual é o tratamento do fenômeno de Raynaud?

A base é proteção contra o frio no corpo inteiro, interrupção do tabagismo e revisão de medicações vasoconstritoras. Quando as medidas não bastam, existem vasodilatadores com boa resposta, entre eles os bloqueadores de canal de cálcio, definidos conforme a causa e a gravidade.

Mãos frias são sempre fenômeno de Raynaud?

Não. Mãos frias difusas, sem mudança de cor bem demarcada em dedos, não caracterizam o fenômeno. O Raynaud tem crises com limite nítido de cor, em geral com palidez seguida de arroxeamento e vermelhidão.

Referências

Para entender a doença que o Raynaud pode anteceder, veja a página de esclerose sistêmica: formas, rastreamento de órgãos e tratamento.

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Dr. Henrique Dalmolin. CRM/SP 211.167, RQE 98901 Reumatologia.

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