Quem atende
Henrique Helson Herter Dalmolin é médico reumatologista em São Paulo, CRM-SP 211.167, RQE 98901. É chefe da equipe de reumatologia do Hospital Samaritano Higienópolis, professor e assistente de reumatologia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e Investigador Principal de protocolos internacionais de terapia celular em doenças autoimunes. Integra o corpo clínico do Hospital Vila Nova Star e do Hospital Moriah. Fez residência em clínica médica no Hospital de Clínicas da UFPR e em reumatologia no Hospital das Clínicas da FMUSP, onde cursa doutorado. É membro das comissões de Artrite Reumatoide, Biotecnologia e Doenças Raras da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
A atuação clínica se concentra em doenças autoimunes sistêmicas, com ênfase em casos de diagnóstico difícil e em doença que não responde ao tratamento convencional.
Neste guia
- O que são doenças autoimunes
- Quando procurar um reumatologista
- Principais doenças autoimunes
- Casos complexos e refratários
- Segunda opinião
- Pesquisa clínica e terapias avançadas
- Atendimento em São Paulo
- Perguntas frequentes
O que são doenças autoimunes
Doença autoimune é aquela em que o sistema imune reconhece estruturas do próprio corpo como ameaça e passa a atacá-las. O resultado é inflamação crônica em um ou mais órgãos.
Na reumatologia, essas doenças compartilham três características que explicam por que o diagnóstico costuma demorar. Elas se manifestam por etapas, e o primeiro exame alterado pode aparecer anos antes do quadro clínico ficar reconhecível. Os sintomas iniciais são inespecíficos: fadiga, dor articular, febre sem causa, queda de cabelo, boca seca. E o mesmo autoanticorpo aparece em doenças diferentes, o que exige interpretar o exame junto com o exame físico e não isoladamente.
Autoimunidade também não é sinônimo de doença. Uma parcela da população tem FAN positivo sem ter nenhuma condição autoimune. O que define o quadro é a combinação de achado laboratorial, manifestação clínica e evolução no tempo.
Quando procurar um reumatologista
- Exame imunológico alterado sem explicação, como FAN, fator reumatoide, anti-CCP ou ANCA.
- Dor articular com rigidez matinal prolongada, que melhora com movimento em vez de piorar.
- Articulações inchadas, com calor ou limitação de movimento.
- Fenômeno de Raynaud, principalmente de início recente ou com úlcera digital.
- Boca e olhos secos persistentes.
- Fraqueza muscular proximal, dificuldade para subir escada ou levantar os braços.
- Febre recorrente, perda de peso ou inflamação sem foco identificado.
- Aftas de repetição, lesão cutânea fotossensível, trombose em pessoa jovem ou perda gestacional recorrente.
- Diagnóstico já feito, mas doença que segue ativa apesar do tratamento.
Para o cenário de exame alterado sem diagnóstico fechado, há um guia específico sobre investigação de doenças autoimunes, com o que cada exame sugere e o que ele não permite concluir.
Principais doenças autoimunes
| Doença | O que costuma chamar atenção | Marcadores mais usados |
|---|---|---|
| Lúpus eritematoso sistêmico | Acometimento de pele, articulação, rim, sangue e sistema nervoso, em combinações variáveis. Curso em surtos e remissões | FAN, anti-DNA nativo, anti-Sm, complemento C3 e C4, proteinúria |
| Artrite reumatoide | Artrite de pequenas articulações de mãos e pés, simétrica, com rigidez matinal acima de uma hora. Risco de erosão óssea | Fator reumatoide, anti-CCP, VHS, PCR, DAS28 ou CDAI para atividade |
| Vasculites sistêmicas | Inflamação de vaso com isquemia de órgão. Sinusite crônica, nódulo pulmonar, hemorragia alveolar, glomerulonefrite, mononeurite | ANCA com especificidades PR3 e MPO, BVAS para atividade, biópsia |
| Síndrome de Sjögren | Secura ocular e oral persistente, aumento de parótida, fadiga. Pode cursar com acometimento pulmonar, renal e neurológico | Anti-Ro (SSA), anti-La (SSB), fator reumatoide, ESSDAI para atividade sistêmica |
| Esclerose sistêmica | Espessamento cutâneo, Raynaud com úlcera digital, refluxo, doença pulmonar intersticial, hipertensão pulmonar | Anticentrômero, anti-Scl70, anti-RNA polimerase III, capilaroscopia periungueal, escore de Rodnan modificado |
| Miopatias inflamatórias | Fraqueza muscular proximal, disfagia, lesão cutânea característica. Formas com doença pulmonar rapidamente progressiva | CPK, aldolase, painel de anticorpos específicos de miosite, eletroneuromiografia, ressonância muscular |
| Espondiloartrites | Dor lombar de padrão inflamatório, entesite, dactilite, uveíte, psoríase, doença inflamatória intestinal associada | HLA-B27, ressonância de sacroilíacas, BASDAI e ASDAS para atividade |
| Síndrome antifosfolípide | Trombose arterial ou venosa, perda gestacional recorrente, plaquetopenia. Pode ser isolada ou associada a lúpus | Anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta-2-glicoproteína I, em duas dosagens com 12 semanas de intervalo |
Há guias próprios sobre lúpus refratário e sobre os escores e índices de atividade usados em cada uma dessas doenças. Outras páginas por doença estão em preparação.
Casos complexos e refratários
Doença refratária é a que permanece ativa apesar de tratamento adequado em dose e em tempo, com aderência verificada e diagnóstico confirmado. Essa definição tem três palavras que fazem trabalho pesado, porque boa parte dos casos encaminhados como refratários não preenche nenhuma delas.
A avaliação começa por descartar refratariedade aparente:
- Aderência. Interrupção de hidroxicloroquina ou de imunossupressor é a causa mais frequente. Quando disponível, a dosagem sérica resolve a dúvida de forma objetiva.
- Dano confundido com atividade. Proteinúria por glomeruloesclerose, deformidade articular estabelecida e fibrose pulmonar não respondem a imunossupressão. Tratar dano adiciona risco sem benefício.
- Diagnóstico incompleto. Sobreposições e síndromes não reconhecidas mudam a escolha terapêutica. Síndrome antifosfolípide tratada como lúpus ativo não melhora.
- Causa concorrente. Infecção, fibromialgia associada, hipotireoidismo e efeito adverso de medicação produzem sintomas que imitam atividade de doença.
- Dose e tempo. Medicamento suspenso antes do prazo de avaliação, ou mantido em dose subterapêutica, não caracteriza falha.
Quando a refratariedade é real, a conduta é trocar de mecanismo em vez de repetir a mesma classe. As opções e os critérios de escolha estão nas páginas sobre imunobiológicos e terapias alvo-específicas e sobre imunobiológico ou inibidor de JAK.
Segunda opinião
Segunda opinião é prática comum em medicina e não implica desconfiança do médico anterior. Faz sentido buscá-la em quatro situações:
- A doença não controla apesar de tratamento aparentemente correto.
- Há discordância ou dúvida sobre o diagnóstico.
- Discute-se mudança para terapia de alto custo, de maior risco, ou de uso prolongado.
- O paciente não entendeu o racional do que está tomando.
Na consulta de segunda opinião, o que mais muda a conduta é o histórico completo. Vale levar exames antigos, inclusive os normais, receitas anteriores com doses e datas, laudos de imagem e biópsia. A evolução de um valor ao longo dos anos carrega mais informação do que um resultado isolado.
Pesquisa clínica e terapias avançadas
A condução de ensaios clínicos em terapia celular exige infraestrutura hospitalar específica, aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa, conformidade com a CONEP e com as normas de boas práticas clínicas.
A atuação como Investigador Principal em protocolos internacionais voltados a doenças autoimunes refratárias inclui estudos com terapia CAR-T em lúpus, esclerose sistêmica e miopatias inflamatórias. O panorama da evidência disponível, com os dados publicados e as ressalvas de tamanho amostral e de seleção, está na página sobre terapia CAR-T em doenças autoimunes. A comparação com a depleção de célula B já disponível está em rituximabe ou CAR-T.
Duas ressalvas que valem para qualquer conversa sobre terapia avançada. A elegibilidade é definida pelo protocolo aprovado, não pelo médico assistente. E terapia CAR-T em doença autoimune não tem aprovação regulatória em nenhuma agência, o que significa que o acesso ocorre apenas dentro de ensaio clínico.
Atendimento em São Paulo
Atendimento exclusivamente particular, no consultório da Avenida Ibirapuera, 2064, sala 71, Moema, São Paulo/SP. Pacientes de outros estados são atendidos por telemedicina, mediante agendamento prévio.
A consulta de doença autoimune complexa é estruturada para reconstruir o histórico terapêutico, verificar se a atividade medida é inflamatória, e definir o que ainda falta para confirmar ou descartar a hipótese.
Perguntas frequentes
Qual médico trata doença autoimune?
O reumatologista é o especialista das doenças autoimunes sistêmicas, as que acometem mais de um órgão, como lúpus, vasculites, esclerose sistêmica, Sjögren e miopatias inflamatórias. Algumas doenças autoimunes são de outras especialidades: tireoidite de Hashimoto é do endocrinologista, doença celíaca e doença inflamatória intestinal do gastroenterologista, esclerose múltipla do neurologista. Casos com acometimento de vários sistemas costumam exigir acompanhamento conjunto.
Doença autoimune tem cura?
Não há cura estabelecida para as doenças autoimunes sistêmicas. A meta do tratamento é remissão ou baixa atividade sustentada, medida por escore validado. Parte dos pacientes atinge remissão prolongada com pouca ou nenhuma medicação, mas a doença permanece passível de reativação e o acompanhamento não é suspenso.
FAN positivo significa doença autoimune?
Não por si só. O FAN é exame de triagem com alta sensibilidade e baixa especificidade. Parte da população sem doença tem FAN positivo, principalmente em títulos baixos como 1/80. O que direciona a investigação é a combinação de título, padrão de fluorescência e quadro clínico.
Quanto tempo leva para fechar o diagnóstico?
Varia muito. Casos com manifestação clara e autoanticorpo específico podem ser definidos em uma ou duas consultas. Casos incompletos exigem seguimento, porque o que falta é a evolução no tempo, não mais um exame. Nesses casos, a conduta é acompanhar em intervalos definidos em vez de repetir painéis de anticorpo.
O que significa doença autoimune indiferenciada?
É uma classificação provisória para quem tem sinais clínicos e laboratoriais de autoimunidade sem preencher critérios de uma doença definida. Parte desses casos evolui para uma doença específica ao longo dos anos, parte permanece indiferenciada e parte regride. Exige acompanhamento, não alta.
Preciso de encaminhamento para consultar?
Não. O atendimento é particular e o agendamento é direto. Encaminhamento não é obrigatório, mas o relatório do médico que acompanha o caso ajuda, principalmente em segunda opinião.
Vocês avaliam candidatura a estudo clínico?
A consulta é uma avaliação clínica, não uma triagem de protocolo. A elegibilidade para qualquer estudo é definida pelos critérios aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa e verificada pela equipe do centro de pesquisa, por meio dos canais formais do estudo.
Atende por telemedicina para outros estados?
Sim, mediante agendamento prévio. Primeira avaliação de caso complexo pode exigir exame físico presencial, o que é definido caso a caso.
Sobre o autor
Dr. Henrique Helson Herter Dalmolin
CRM/SP 211.167 | RQE 98901
Médico reumatologista em São Paulo. Chefe da equipe de reumatologia do Hospital Samaritano Higienópolis. Professor e assistente de reumatologia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Investigador Principal de protocolos internacionais de terapia celular em doenças autoimunes. Corpo clínico do Hospital Vila Nova Star e do Hospital Moriah. Residência em clínica médica pelo Hospital de Clínicas da UFPR e em reumatologia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, onde cursa doutorado. Membro das comissões de Artrite Reumatoide, Biotecnologia e Doenças Raras da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
ORCID | Currículo Lattes | Google Scholar
Conteúdo escrito e revisado por Dr. Henrique Dalmolin. Última revisão: setembro de 2026.
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Participações e entrevistas relacionadas
Participações na imprensa sobre autoimunidade em geral. Ser entrevistado por um veículo não significa ser recomendado por ele.
- UOL VivaBem, reportagem especial. Perigo: Autoataque! Por que o corpo age contra si mesmo, causando doenças autoimunes
- Metrópoles, março de 2026. Por que mulheres convivem mais com dor crônica e doenças autoimunes
- R7 e Record News, Estúdio News, outubro de 2023. Doenças autoimunes: causas, sintomas e tratamentos
- Hospital Moriah, abril de 2024, sobre participação no Hoje em Dia da Record TV. Reumatologista fala sobre doenças autoimunes
A lista completa está em participações na mídia.
Aviso
Esta página tem caráter informativo e educativo. Não constitui recomendação de tratamento, oferta de terapia nem captação de participantes para pesquisa clínica, e não substitui a avaliação médica individualizada.
