Artrite psoriásica e psoríase são duas faces da mesma doença inflamatória. Cerca de 1 em cada 5 pessoas com psoríase desenvolve artrite psoriásica. Esta página foi escrita pelo reumatologista Dr. Henrique Dalmolin com a dermatologista Dra. Thais Akemi Yoshimoto. Os dois atendem no mesmo consultório em Moema, São Paulo. A pele e as articulações são avaliadas juntas porque o tratamento escolhido precisa funcionar nas duas. O lado dermatológico, com tipos de psoríase e escalas de gravidade, está na página de psoríase da Dra. Thais.
Pontos principais
- Uma revisão de 266 estudos, com quase 1 milhão de pacientes com psoríase, encontrou artrite psoriásica em 19,7%. Na América do Sul, 21,5%.
- Unha com furinhos, descolamento da unha, psoríase no couro cabeludo ou na região entre as nádegas aumentam a atenção para a articulação.
- Dedo inchado inteiro (“dedo em salsicha”), dor no calcanhar e rigidez matinal longa são sinais de alerta.
- Fator reumatoide costuma ser negativo. Exame normal não exclui a doença.
- Há tratamentos que controlam pele e articulação ao mesmo tempo. A escolha depende de qual domínio pesa mais.
O que liga a psoríase à artrite psoriásica
A psoríase é uma doença imunomediada. O sistema imune ativa uma inflamação que acelera a renovação da pele e forma placas vermelhas com descamação. As mesmas vias inflamatórias, principalmente IL-17 e IL-23, também atuam nas articulações, nos tendões e na coluna.
Na maioria dos pacientes, a pele aparece primeiro e a artrite surge anos depois. Em uma parte deles, a dor articular vem antes da lesão de pele, ou a psoríase é discreta e passa despercebida. A incidência de artrite entre pessoas com psoríase varia de 0,27 a 2,7 casos por 100 pacientes por ano.
Sinais de alerta para quem tem psoríase
Procure avaliação reumatológica se tiver psoríase e algum destes sinais:
- Dor e inchaço em articulações, com piora pela manhã ou após repouso.
- Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos.
- Um dedo da mão ou do pé inchado por inteiro (dactilite).
- Dor no calcanhar, na sola do pé ou na inserção de tendões (entesite).
- Dor lombar que melhora com movimento e piora parada.
- Alterações nas unhas: furinhos, descolamento, espessamento.
A dermatologia tem papel central aqui. É no consultório dermatológico que a maioria dos pacientes com psoríase é acompanhada. Um exame da pele que inclui couro cabeludo, umbigo, sulco entre as nádegas e unhas encontra lesões que o paciente não percebe. Questionários de rastreio, como o PEST, ajudam a identificar quem precisa de avaliação articular.
Como é feito o diagnóstico
Não existe um exame único. O diagnóstico é clínico, apoiado por imagem e por exclusão de outras doenças. Os critérios CASPAR, usados em pesquisa e na prática, pontuam psoríase atual ou prévia, história familiar, alteração de unha, dactilite, fator reumatoide negativo e formação óssea característica na radiografia.
Na investigação entram exame das articulações e enteses, ultrassom articular, radiografia e, em casos de coluna, ressonância. PCR e VHS podem estar normais mesmo com doença ativa. Por isso a pessoa com dor articular e exames normais merece reavaliação quando há psoríase na história.
O que cada especialista avalia
Dermatologia
Extensão e gravidade da psoríase (BSA e PASI), impacto na qualidade de vida (DLQI), áreas difíceis como couro cabeludo, unhas, palmas, plantas e genitais. Tratamento tópico, fototerapia e ajuste do tratamento sistêmico pelo lado da pele.
Reumatologia
Número de articulações acometidas, entesites, dactilite e coluna. Atividade medida por escores como DAPSA e atividade mínima de doença (MDA), descritos no guia de escores em reumatologia. Prevenção de dano articular, que é permanente quando se instala.
Quando os dois olham o mesmo paciente, a decisão muda. Um medicamento que limpa a pele pode não controlar a entesite. Um que controla a artrite pode deixar placas resistentes. A escolha precisa cobrir o domínio mais grave.
Tratamento: um plano para pele e articulação
As recomendações da EULAR de 2023 organizam o tratamento da artrite psoriásica em etapas. As da GRAPPA fazem o mesmo olhando todos os domínios da doença, incluindo pele e unhas.
- Anti-inflamatórios: só para doença leve e por pouco tempo.
- Corticoide oral: não recomendado. Além disso, a retirada pode provocar piora da psoríase.
- Metotrexato: primeira escolha entre os remédios convencionais na artrite periférica. Age também na pele. Quando não resolve, há próximos passos claros, descritos em metotrexato não funcionou.
- Imunobiológicos: anti-TNF, inibidores de IL-17A, de IL-17A/F, de IL-23 e de IL-12/23. Com psoríase de pele relevante, a EULAR orienta preferir os inibidores de IL-17 e IL-23. Com doença inflamatória intestinal ou uveíte, os anti-TNF monoclonais são preferidos.
- Terapias-alvo orais: apremilaste e inibidores de JAK, com avaliação individual de risco cardiovascular e trombótico. A comparação está em imunobiológico ou inibidor de JAK.
A visão geral das classes está na página de imunobiológicos e terapias alvo-específicas.
Qual é a meta
Na articulação, a meta é remissão ou atividade mínima de doença. Na pele, os tratamentos atuais permitem buscar pele praticamente limpa (PASI 90 ou PASI 100) e impacto mínimo na qualidade de vida. Se a meta não é atingida em alguns meses, o tratamento deve mudar.
Além da pele e das articulações
A psoríase e a artrite psoriásica se associam a maior risco cardiovascular, síndrome metabólica, gordura no fígado, depressão, uveíte e doença inflamatória intestinal. Esses pontos entram no acompanhamento e influenciam a escolha do remédio.
Atendimento em São Paulo
O Dr. Henrique Dalmolin, reumatologista, e a Dra. Thais Akemi Yoshimoto, dermatologista, atendem no mesmo endereço: Avenida Ibirapuera, 2064, sala 71, Moema, São Paulo. O paciente com psoríase e dor articular pode ser avaliado pelas duas especialidades sem trocar de endereço.
- Reumatologia: Dr. Henrique Dalmolin, CRM-SP 211.167, RQE 98901. Formação em reumatologia pelo HC-FMUSP e professor da Santa Casa de São Paulo.
- Dermatologia: Dra. Thais Akemi Yoshimoto, CRM-SP 184.637, RQE 97177. Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, formação em clínica médica e dermatologia pela FMABC. Veja a página dela sobre psoríase: tipos, gravidade e tratamento e o perfil no Doctoralia.
Agendamento com o Dr. Henrique pelo WhatsApp (11) 91178-0001. Casos já tratados sem controle também podem ser revistos como segunda opinião.
Perguntas frequentes
Toda pessoa com psoríase vai ter artrite?
Não. Cerca de 1 em cada 5 desenvolve artrite psoriásica. O risco é maior com psoríase de unha, de couro cabeludo e da região entre as nádegas.
A artrite psoriásica pode aparecer antes da psoríase?
Sim. Em parte dos pacientes a dor articular vem antes das lesões de pele, ou a psoríase é pequena e passa despercebida. A história familiar de psoríase ajuda no diagnóstico.
Fator reumatoide negativo exclui artrite psoriásica?
Não. Na artrite psoriásica o fator reumatoide costuma ser negativo. O resultado negativo inclusive conta ponto nos critérios de classificação.
Devo procurar dermatologista ou reumatologista?
Os dois têm papel. A dermatologia avalia a extensão da psoríase e rastreia sinais articulares. A reumatologia confirma a artrite, mede a atividade e previne dano. Com as duas doenças ativas, a decisão de tratamento é melhor quando feita em conjunto.
Existe um remédio que trata pele e articulação ao mesmo tempo?
Sim. Metotrexato e vários imunobiológicos agem nos dois domínios. Com pele relevante, as recomendações da EULAR orientam preferir inibidores de IL-17 ou IL-23.
Corticoide ajuda na artrite psoriásica?
Corticoide oral não é recomendado. Além do efeito limitado, a retirada pode provocar piora importante da psoríase. Infiltração em uma articulação específica pode ser usada.
Referências
- Alinaghi F, et al. Prevalence of psoriatic arthritis in patients with psoriasis: a systematic review and meta-analysis. J Am Acad Dermatol. 2019;80(1):251-265. doi:10.1016/j.jaad.2018.06.027
- Gossec L, et al. EULAR recommendations for the management of psoriatic arthritis with pharmacological therapies: 2023 update. Ann Rheum Dis. 2024;83(6):706-719. doi:10.1136/ard-2024-225531
- Coates LC, et al. Group for Research and Assessment of Psoriasis and Psoriatic Arthritis (GRAPPA): updated treatment recommendations for psoriatic arthritis 2021. Nat Rev Rheumatol. 2022;18:465-479. doi:10.1038/s41584-022-00798-0
- Taylor W, et al. Classification criteria for psoriatic arthritis: development of new criteria from a large international study (CASPAR). Arthritis Rheum. 2006;54(8):2665-2673. doi:10.1002/art.21972
- FitzGerald O, et al. Psoriatic arthritis. Nat Rev Dis Primers. 2021;7(1):59. doi:10.1038/s41572-021-00293-y
Texto: Dr. Henrique Helson Herter Dalmolin, reumatologista, CRM-SP 211.167, RQE 98901. Dermatologia: Dra. Thais Akemi Yoshimoto, dermatologista, CRM-SP 184.637, RQE 97177. Última revisão: setembro de 2026. Conteúdo informativo, não substitui consulta.
